No número 30 da revista Pandora Brasil, uma publicação do curso de filosofia da Universidade Mackenzie, foi publicado um artigo de colaboração escrito junto com a professora Camila Cruz Rodrigues e a estudante de psicologia Danila Bertalia.
Artigo:
O IMPACTO DO USO DO VIDEOGAME SOBRE O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DOS ADOLESCENTES
Camila Cruz-Rodrigues, Thiago Strahler Rivero e Danila Lima Bertalia
RESUMO
O videogame faz parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes e, consequentemente, é motivo de preocupação dos pais e profissionais das áreas da saúde e da educação devido os possíveis impactos que essa ferramenta pode trazer ao desenvolvimento cognitivo das pessoas. As pesquisas mais recentes têm mostrado o potencial que os videogames podem ter no desenvolvimento cognitivo e emocional, embora alguns autores alertem para a importância do conteúdo do jogo e, principalmente, para o tempo destinado a máquina, variáveis que podem influenciar na capacidade de resolução de problemas e na criatividade. Assim, é fundamental que o videogame seja utilizado como ferramenta educacional ponderadamente para que possa ser um aliado do desenvolvimento dos adolescentes e não ofereça riscos à saúde física e mental.
para continuar lendo.... http://revistapandora.sites.uol.com.br/jovem/camila.pdf
Thiago Strahler Rivero é Psicologo e Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo. Especialista em Medicina Comportamental pela UNIFESP. Pesquisador Colaborador do departamento de Psicobiologia/UNIFESP. Atualmente pesquisa a avaliação dos diversos processos atencionais em adolescentes sadios e adolescentes com TDAH. Email: thiagorivero@gmail.com
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Déficit de atenção: 8 sinais aos quais os pais devem ficar atentos
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma doença cercada de controvérsia. Por atingir principalmente crianças, muito pais enxergam problemas onde eles não existem — sintomas isolados são comuns nesta fase da vida. Também há quem não preste atenção ao conjunto de sintomas que a caracterizam: quadros de desatenção, hiperatividade e impulsividade de maneira exacerbada.
Há um grande número de crianças com a doença, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 3% a 5% das crianças brasileiras sofrem de TDAH, das quais de 60% a 85% permanecem com o transtorno na adolescência.
É preciso enfrentá-la cedo. Quando não diagnosticada e tratada, pode trazer sérios prejuízos a curto e longo prazo. Em crianças, é comum a queda no rendimento escolar, por causa de desorganização, da falta de paciência para assistir às aulas e estudar. Na fase adulta, o problema pode ser a causa de uma severa baixa auto-estima, além de afetar os relacionamentos interpessoais, uma vez que a pessoa tem dificuldades em se ajustar a horários e compromissos e, frequentemente, não consegue prestar atenção no parceiro.
Confira abaixo oito desses sintomas que, quando aparecem com freqüência e em mais de um ambiente (escola e casa, por exemplo), podem servir como um alerta de que chegou a hora de procurar ajuda profissional.
Distração
As crianças com TDAH perdem facilmente o foco das atividades quando há algum estímulo do ambiente externo, como barulhos ou movimentações. Elas também se perdem em pensamentos “internos” e chegam a dar a impressão de serem “avoadas”. Essas distrações podem prejudicar o aprendizado, levando o aluno a ter um desempenho muito abaixo do esperado.
Perda de objetos
Perder coisas necessárias para as tarefas e atividades, tais como brinquedos, obrigações escolares, lápis, livros ou ferramentas, é quase uma rotina. A criança chega a perder o mesmo objeto diversas vezes e esquece rapidamente do que lhe é dado.
Lição escolar
Impaciente, não consegue manter a atenção por muito tempo. Por isso tem dificuldade em terminar a tarefa escolar, pois não consegue se manter concentrada do começo ao fim, e acaba se levantando, andando pela casa, brincando com o irmão, fazendo desenhos...
Movimentação constante
Traço típico da hiperatividade, é comum que mãos e pés estejam sempre em movimento, já que ficar parado é praticamente impossível. A criança acaba se levantando toda hora na sala de aula e costuma subir em móveis e em situações nas quais isso é inapropriado. Para os pais, é como se o filho estivesse “ligado na tomada”.
Passeios e brincadeiras
Existe grande dificuldade em participar de atividades calmas e em silêncio, mesmo quando elas são prazerosas. Em vez disso, preferem brincadeiras nas quais possam correr e gritar à vontade. Por isso costumam ser vetados de algumas festas de aniversário ou passeios escolares.
Paciência
Tendem a ser impulsivas e não conseguem esperar pela sua vez em filas de espera em lojas, cinema ou mesmo para brincar. É comum ainda que não esperem pelo fim da pergunta para darem uma resposta e que cheguem a interromper outras pessoas.
Desatenção
Distraída e sem conseguir prestar atenção na conversa, dificilmente consegue se lembrar de um pedido dos pais ou mesmo de uma regra da casa. A sensação que se tem é a de que ela vive “ no mundo da lua”. É comum, portanto, que os pais acabem repetindo inúmeras vezes a mesma coisa para a criança, que nunca se lembra do que foi dito.
Impulsividade
A criança com TDAH não tem paciência nem para concluir um pensamento. Assim, ela acaba agindo sem pensar e chega a ser impulsiva e explosiva em alguns momentos. Os rompantes podem ser vistos, por exemplo, durante brincadeiras com os demais colegas que culminem em brigas ou discussões.
* Fontes: Maria Conceição do Rosário, psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Child Study Center, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e Thiago Strahler Rivero, psicólogo do Departamento de Psicobiologia do Centro Paulista de Neuropsicologia da Unifesp
Há um grande número de crianças com a doença, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 3% a 5% das crianças brasileiras sofrem de TDAH, das quais de 60% a 85% permanecem com o transtorno na adolescência.
É preciso enfrentá-la cedo. Quando não diagnosticada e tratada, pode trazer sérios prejuízos a curto e longo prazo. Em crianças, é comum a queda no rendimento escolar, por causa de desorganização, da falta de paciência para assistir às aulas e estudar. Na fase adulta, o problema pode ser a causa de uma severa baixa auto-estima, além de afetar os relacionamentos interpessoais, uma vez que a pessoa tem dificuldades em se ajustar a horários e compromissos e, frequentemente, não consegue prestar atenção no parceiro.
Confira abaixo oito desses sintomas que, quando aparecem com freqüência e em mais de um ambiente (escola e casa, por exemplo), podem servir como um alerta de que chegou a hora de procurar ajuda profissional.
Distração
As crianças com TDAH perdem facilmente o foco das atividades quando há algum estímulo do ambiente externo, como barulhos ou movimentações. Elas também se perdem em pensamentos “internos” e chegam a dar a impressão de serem “avoadas”. Essas distrações podem prejudicar o aprendizado, levando o aluno a ter um desempenho muito abaixo do esperado.
Perda de objetos
Perder coisas necessárias para as tarefas e atividades, tais como brinquedos, obrigações escolares, lápis, livros ou ferramentas, é quase uma rotina. A criança chega a perder o mesmo objeto diversas vezes e esquece rapidamente do que lhe é dado.
Lição escolar
Impaciente, não consegue manter a atenção por muito tempo. Por isso tem dificuldade em terminar a tarefa escolar, pois não consegue se manter concentrada do começo ao fim, e acaba se levantando, andando pela casa, brincando com o irmão, fazendo desenhos...
Movimentação constante
Traço típico da hiperatividade, é comum que mãos e pés estejam sempre em movimento, já que ficar parado é praticamente impossível. A criança acaba se levantando toda hora na sala de aula e costuma subir em móveis e em situações nas quais isso é inapropriado. Para os pais, é como se o filho estivesse “ligado na tomada”.
Passeios e brincadeiras
Existe grande dificuldade em participar de atividades calmas e em silêncio, mesmo quando elas são prazerosas. Em vez disso, preferem brincadeiras nas quais possam correr e gritar à vontade. Por isso costumam ser vetados de algumas festas de aniversário ou passeios escolares.
Paciência
Tendem a ser impulsivas e não conseguem esperar pela sua vez em filas de espera em lojas, cinema ou mesmo para brincar. É comum ainda que não esperem pelo fim da pergunta para darem uma resposta e que cheguem a interromper outras pessoas.
Desatenção
Distraída e sem conseguir prestar atenção na conversa, dificilmente consegue se lembrar de um pedido dos pais ou mesmo de uma regra da casa. A sensação que se tem é a de que ela vive “ no mundo da lua”. É comum, portanto, que os pais acabem repetindo inúmeras vezes a mesma coisa para a criança, que nunca se lembra do que foi dito.
Impulsividade
A criança com TDAH não tem paciência nem para concluir um pensamento. Assim, ela acaba agindo sem pensar e chega a ser impulsiva e explosiva em alguns momentos. Os rompantes podem ser vistos, por exemplo, durante brincadeiras com os demais colegas que culminem em brigas ou discussões.
* Fontes: Maria Conceição do Rosário, psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Child Study Center, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e Thiago Strahler Rivero, psicólogo do Departamento de Psicobiologia do Centro Paulista de Neuropsicologia da Unifesp
Um problemão de matemática

Dificuldade com os cálculos nem sempre é falta de inteligência do aluno. Pode ser só um transtorno de aprendizagem – e, com ensino adequado, dá para aprender
CAMILA GUIMARÃES
FORA DA ESCOLA
Luisa Andrade (sentada) com sua tutora no jardim de casa. Ela abandonou a escola depois de várias situações constrangedoras em sala
Desde que consegue se lembrar, a paulistana Luisa Andrade, que hoje tem 17 anos, não se entendia com os números. As aulas de matemática eram um suplício. Na 3a série, aos 9 anos, experimentou pela primeira vez a vergonha que a acompanharia até o ensino médio. Para tomar a lição dos alunos, a professora costumava pedir para que todos ficassem em pé em cima de suas carteiras e recitassem a tabuada. Só sentava quem acertava a sequência. Era uma tarefa impossível para Luisa, que sempre ficava por último, em pé, sozinha, exposta à risada dos coleguinhas.
Os anos se passaram e as situações constrangedoras foram se acumulando, tanto nas salas de aulas quanto em passeios com a turma de amigos. No cinema ou na lanchonete, Luisa nunca soube calcular o troco. Ou ver as horas. O pior momento foi no ensino médio. Durante uma aula de física, a professora pediu para que Luisa, que é loira e vestia uma blusa cor-de-rosa, resolvesse um problema na lousa. Luisa não foi capaz de escrever nada. Ficou lá parada por alguns minutos. A professora, então, disse a ela: “Pode voltar para sua carteira, Barbie”.
Luisa não é preguiçosa. Nem burra. Ela apenas sofre de discalculia, um transtorno de aprendizagem tão comum em salas de aulas quanto a dislexia (o transtorno de aprendizagem de leitura). Quem tem discalculia não possui habilidades matemáticas. Faltam noções de grandeza ou de valor dos números. Essas pessoas não conseguem fazer cálculos e nem sequer decoram a tabuada (leia abaixo o quadro com os principais sintomas). Pesquisas internacionais estimam que entre 5% e 7% da população mundial sofre desse transtorno. Os impactos afetam toda a sociedade. Segundo um estudo britânico, a discalculia gera um prejuízo anual ao país de 2,4 bilhões de libras (ou R$ 5,8 bilhões). Isso porque as pessoas com dificuldades matemáticas tendem a ganhar e gastar menos. Seriam mais propensas a ficar doentes e cometer crimes. Também demandam mais ajuda da escola.
Apesar disso, a discalculia é pouco conhecida. Parte do problema é resultado da tolerância nas escolas para as dificuldades com matemática. “Culturalmente encaramos como algo difícil mesmo”, afirma Thiago Strahler Rivero, pesquisador do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo. “Muitos pais e professores não percebem que há um problema e os alunos podem chegar até a vida adulta sem saber que sofrem deste transtorno.”
Outro obstáculo é o diagnóstico complicado. É preciso uma equipe interdisciplinar, formada por fonoaudiólogo, neuropsicólogo, psicopedagogo e neuropediatra para identificar o transtorno corretamente. No Brasil, apesar da falta de números precisos, há consenso entre especialistas que os diagnósticos de discalculia começam a aparecer com mais frequência nos consultórios clínicos.
A história do diagnóstico de Luisa é ilustrativa. Sua mãe, Mônica Weinstein, é fonoaudióloga e doutora em comunicação humana, mas, até Luisa ter 13 anos, nunca desconfiou que ela tivesse discalculia. Foi a própria Luisa quem percebeu. “Estava assistindo a um documentário na TV que falava sobre transtornos de aprendizagem e de repente ficou claro que aquele era o meu problema”, diz Luisa. “Fui correndo contar para minha mãe.”
Os alunos com discalculia conseguem aprender matemática com atenção individual e técnicas de ensino especiais. Mas poucas escolas têm professores, estrutura, planejamento ou materiais adequados. A Escola Suíço Brasileira de São Paulo fez uma adaptação do conteúdo das aulas e até de materiais. “As atividades em sala de aula e a lição de casa precisam ser diferentes”, diz Birgit Möbus, psicopedagoga da escola. “O mais importante é não isolar esse aluno e cuidar de sua autoestima.”
A mãe de Luisa, Mônica, não teve a sorte de encontrar colégios preparados para educar a filha. O último sugeriu que a menina deixasse a matemática de lado. A menina já havia desenvolvido uma severa anorexia nervosa. Hoje ela estuda com tutores, em casa, e frequenta uma vez por semana o Instituto Individualmente, uma organização não governamental criada pela própria Mônica logo depois do diagnóstico da filha.
O instituto diagnostica e trata alunos com discalculia das redes pública e privada há dois anos. Um deles é Aline Alves Barbosa, de 15 anos. Sua mãe percebeu que poderia haver algum problema de aprendizagem quando ela tinha 12 anos. Durante meses, passou por fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas. Chegou a tomar remédio para tratar um possível deficit de atenção. No instituto, ela é atendida por especialistas em discalculia, que usam softwares importados desenvolvidos para quem não tem habilidades matemáticas. Com os programas, que concretizam os números e as operações matemáticas com imagens, ela aprendeu a ler as horas e a fazer algumas operações básicas, como somar e dividir. Aline ainda odeia as aulas de matemática da escola. “Minha professora atual não quer nem saber do meu diagnóstico”, diz Aline. “Ela explica a lição uma vez só e nunca mais.” Por isso, o desafio do Instituto Individualmente também é preparar as escolas para ensinar essas crianças.
Outros países já incorporaram isso à política oficial. Desde 2000, a Inglaterra investiu US$ 2,3 milhões em pesquisa. Outro tanto para desenvolver softwares para melhorar o aprendizado. Esses programas são usados nas escolas públicas. Segundo um levantamento feito pela consultoria KPMG e uma ONG britânica, essas ações custam caro, mas dão um retorno 12 vezes maior para a sociedade. É só fazer as contas.
Dificuldade além dos números
Pessoas com discalculia sofrem nas aulas de matemática e também não desenvolvem noções de tempo e espaço.
Eis os sintomas mais comuns:
Não aprendem a ler as horas
Não sabem a sequência dos meses do ano ou noções de ontem, hoje e amanhã
Em jogos, não gravam regras e não conseguem montar estratégias
Têm dificuldade para calcular troco
Não guardam fórmulas matemáticas e têm muita dificuldade de entender os enunciados de exercícios
Falta de noção de magnitude: a criança não sabe, por exemplo, se o número 12 é mais próximo, em grandeza, do 10 do que do 20. Nem que 200 é menor que 2.000.
São incapazes de fazer cálculos mentais
Os mais novos confundem números graficamente parecidos, como 6 e 9 ou 14 e 41
VI Congresso Interamericano de Psicologia e Saúde e II Congresso Brasileiro de Neuropsicologia e Neurociência
Durante o dia 21/05/2001 tive a grata felicidade de participar do congresso (http://www.congressointeramericano.com.br/programacao.asp) e poder falar sobre o uso de video game e outras tecnologias durante o processo de Reabilitação Neuropsicologica.
Além dessa alegria, pude também estar na mesa, que foi coordenada pelo Estevam Colacicco Holpert, com duas amigas de trabalho e profissionais excelentes; Drª Anna Carolina Rufino Navatta (Hospital Israelita Albert Einsten) e Drª Beatriz Sant´Anna (UNIFESP).
Realmente foi uma experiência enriquecedora, na plateia, mais de 80 pessoas atentas e com perguntas fantásticas, principalmente sobre como aplicar o conceito de games para a prática clínica e escolar.

Eu, Beatriz Sant´Anna e Ana Luiza Zaninotto (Coordenadora da Especialização de Neuropsicologia do Cepsic e grande amiga que me convidou para esse congresso)
Uma parte da plateia.
Inicio da conferência.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Estadão - Unifesp Simplifica teste de déficit de atenção
Eatadão - Unifesp Simplifica teste de déficit de atenção
Novo método apresenta roteiro mais simples para leitura dos resultados
Terça, 21 de Setembro de 2010, 09h32
Fábio Mazzitelli
Pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo finalizaram pesquisa que propõe um método simplificado de diagnóstico clínico do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que ajudaria o trabalho clínico de psicólogos, médicos e demais profissionais que lidam com o transtorno.
De acordo com o psicólogo Thiago Strahler Rivero, integrante da equipe que desenvolveu o trabalho, o novo método consiste de um roteiro mais simples para a leitura dos resultados dos testes de desempenho contínuo, usados para o diagnóstico.
A pesquisa concluiu que é possível resumir os 15 resultados apresentados por avaliação em 5 itens. “A gente não está propondo mudar o teste, mas a forma de corrigi-lo e avaliá-lo para diminuir a subjetividade”, afirma o pesquisador.
A busca por mais precisão no diagnóstico do TDAH é um dos principais desafios para o tratamento adequado da disfunção, que hoje acomete mais de 5% das crianças e dos adolescentes no mundo, estimam os pesquisadores. “Hoje, a subjetividade do avaliador é grande. Se o mesmo caso passar por dez psicólogos, cada um vai dizer uma coisa”, diz Rivero.]
Novo método apresenta roteiro mais simples para leitura dos resultados
Terça, 21 de Setembro de 2010, 09h32
Fábio Mazzitelli
Pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo finalizaram pesquisa que propõe um método simplificado de diagnóstico clínico do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que ajudaria o trabalho clínico de psicólogos, médicos e demais profissionais que lidam com o transtorno.
De acordo com o psicólogo Thiago Strahler Rivero, integrante da equipe que desenvolveu o trabalho, o novo método consiste de um roteiro mais simples para a leitura dos resultados dos testes de desempenho contínuo, usados para o diagnóstico.
A pesquisa concluiu que é possível resumir os 15 resultados apresentados por avaliação em 5 itens. “A gente não está propondo mudar o teste, mas a forma de corrigi-lo e avaliá-lo para diminuir a subjetividade”, afirma o pesquisador.
A busca por mais precisão no diagnóstico do TDAH é um dos principais desafios para o tratamento adequado da disfunção, que hoje acomete mais de 5% das crianças e dos adolescentes no mundo, estimam os pesquisadores. “Hoje, a subjetividade do avaliador é grande. Se o mesmo caso passar por dez psicólogos, cada um vai dizer uma coisa”, diz Rivero.]
SnifBrasil
Divulgação da DPM editora via SnifBrasil
PESQUISA UNIFESP APONTA COMO APRIMORAR MÉTODO DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO PARA TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
O Centro Paulista de Neuropsicologia, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), desenvolve estudos e tratamentos para adolescentes com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e acaba de publicar uma pesquisa que identificou os três fatores que mais caracterizam o perfil de desempenho dos adolescentes brasileiros com o distúrbio: prejuízo nas atenções focada e sustentada e na vigilância. A definição do perfil por meio de um novo modelo de padronização passa a ser uma ferramenta de apoio para o diagnóstico mais preciso e fidedigno. Com os resultados somados à avaliação clínica, o profissional pode buscar tratamentos que visem diminuir os sintomas da disfunção.
O TDAH é um transtorno neurobiológico que acomete mais de 5% das crianças e adolescentes do mundo, mas embora surja na infância, pode acompanhar o indivíduo na fase adulta. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. No entanto, é comum a associação com diversos acometimentos mentais e de desenvolvimento como o Transtorno de Aprendizagem, dificultando a diferenciação entre crianças que não apresentam a disfunção e são tratadas e outras com TDAH que não são diagnosticadas. Falta de informação sobre a disfunção e falhas de diagnóstico são os temas mais recorrentes a respeito do transtorno.
Segundo os pesquisadores, o tratamento com remédios não é a única opção para o controle do TDAH. “É possível o uso de treinos mentais (cognitivos) para melhora de desempenho da atenção, como uma proposta de reabilitação e não como uma proposta de cura, pois o TDAH não é visto como uma doença para ser curada”, explica o pesquisador Thiago Strahler Rivero. Sendo assim, ao conhecer melhor as características do perfil dos adolescentes brasileiros, é possível estabelecer um tratamento mais direcionado e que promova as melhores respostas. “O treino de atenção é individual. A partir de nossos estudos, desenvolvemos materiais de apoio para o grupo clínico como jogos de treinamento ou manuais de terapia”, completa Mônica Miranda, coordenadora do núcleo de avaliação de neuropsicologia interdisciplinar do Centro Paulista de Neuropsicologia, parceiro da Unifesp no atendimento aos pacientes.
Após estudo com 490 adolescentes sem histórico de distúrbios, foram identificados e selecionados 28 indivíduos com TDAH e 28 sadios, de 12 a 18 anos, para participar da pesquisa que avaliou o desempenho dos dois grupos por meio de um teste de performance (teste de desempenho contínuo do Conners).
A partir do questionário, que aponta 15 medidas de avaliação, foi feita uma análise estatística fatorial que permitiu identificar os três fatores mais prejudicados entre os adolescentes com TDAH.
Orlando Francisco Amodeo Bueno, chefe da disciplina de Memória do departamento de Psicobiologia da UNIFESP, explica que a atenção focada está associada à capacidade do indivíduo de concentrar-se em uma atividade; a atenção sustentada é a habilidade de manter-se na mesma atividade por um longo período e a vigilância é a aptidão que cada um tem de responder a algo não previsível. No teste, 360 letras surgiam na tela do computador em intervalos de 1, 2 ou 4 segundos, divididos em seis blocos. Para cada letra, o participante deveria reagir teclando caracteres pré-determinados.
Os resultados da pesquisa serão utilizados para dar suporte a outros estudos e aos tratamentos oferecidos pelo Centro Paulista de Neuropsicologia. Além de terapias, treinos e atividades, o Centro oferece aos pais dos participantes acompanhamento para que eles respondam de forma adequada às situações vivenciadas.
Vagas para voluntários em pesquisa para tratamento
Estão abertas inscrições para adolescentes já diagnosticados que possam fazer parte dos grupos de terapia associada a diferentes tipos de treinos. Durante 20 semanas, quatro grupos de cinco pessoas participam de atividades variadas. O projeto, coordenado por Mônica Miranda, mantém parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também estão abertas as inscrições para adolescentes. Os resultados dos dois estados serão agrupados, tendo como objetivo apontar os impactos dos tratamentos propostos sobre participantes de diferentes realidades.
Inscrições para projeto de tratamento em São Paulo: Centro Paulista de Neuropsicologia da Unifesp - Rua Embaú, 54 - Telefone: 11 5549-6899/8476
PESQUISA UNIFESP APONTA COMO APRIMORAR MÉTODO DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO PARA TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
O Centro Paulista de Neuropsicologia, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), desenvolve estudos e tratamentos para adolescentes com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e acaba de publicar uma pesquisa que identificou os três fatores que mais caracterizam o perfil de desempenho dos adolescentes brasileiros com o distúrbio: prejuízo nas atenções focada e sustentada e na vigilância. A definição do perfil por meio de um novo modelo de padronização passa a ser uma ferramenta de apoio para o diagnóstico mais preciso e fidedigno. Com os resultados somados à avaliação clínica, o profissional pode buscar tratamentos que visem diminuir os sintomas da disfunção.
O TDAH é um transtorno neurobiológico que acomete mais de 5% das crianças e adolescentes do mundo, mas embora surja na infância, pode acompanhar o indivíduo na fase adulta. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. No entanto, é comum a associação com diversos acometimentos mentais e de desenvolvimento como o Transtorno de Aprendizagem, dificultando a diferenciação entre crianças que não apresentam a disfunção e são tratadas e outras com TDAH que não são diagnosticadas. Falta de informação sobre a disfunção e falhas de diagnóstico são os temas mais recorrentes a respeito do transtorno.
Segundo os pesquisadores, o tratamento com remédios não é a única opção para o controle do TDAH. “É possível o uso de treinos mentais (cognitivos) para melhora de desempenho da atenção, como uma proposta de reabilitação e não como uma proposta de cura, pois o TDAH não é visto como uma doença para ser curada”, explica o pesquisador Thiago Strahler Rivero. Sendo assim, ao conhecer melhor as características do perfil dos adolescentes brasileiros, é possível estabelecer um tratamento mais direcionado e que promova as melhores respostas. “O treino de atenção é individual. A partir de nossos estudos, desenvolvemos materiais de apoio para o grupo clínico como jogos de treinamento ou manuais de terapia”, completa Mônica Miranda, coordenadora do núcleo de avaliação de neuropsicologia interdisciplinar do Centro Paulista de Neuropsicologia, parceiro da Unifesp no atendimento aos pacientes.
Após estudo com 490 adolescentes sem histórico de distúrbios, foram identificados e selecionados 28 indivíduos com TDAH e 28 sadios, de 12 a 18 anos, para participar da pesquisa que avaliou o desempenho dos dois grupos por meio de um teste de performance (teste de desempenho contínuo do Conners).
A partir do questionário, que aponta 15 medidas de avaliação, foi feita uma análise estatística fatorial que permitiu identificar os três fatores mais prejudicados entre os adolescentes com TDAH.
Orlando Francisco Amodeo Bueno, chefe da disciplina de Memória do departamento de Psicobiologia da UNIFESP, explica que a atenção focada está associada à capacidade do indivíduo de concentrar-se em uma atividade; a atenção sustentada é a habilidade de manter-se na mesma atividade por um longo período e a vigilância é a aptidão que cada um tem de responder a algo não previsível. No teste, 360 letras surgiam na tela do computador em intervalos de 1, 2 ou 4 segundos, divididos em seis blocos. Para cada letra, o participante deveria reagir teclando caracteres pré-determinados.
Os resultados da pesquisa serão utilizados para dar suporte a outros estudos e aos tratamentos oferecidos pelo Centro Paulista de Neuropsicologia. Além de terapias, treinos e atividades, o Centro oferece aos pais dos participantes acompanhamento para que eles respondam de forma adequada às situações vivenciadas.
Vagas para voluntários em pesquisa para tratamento
Estão abertas inscrições para adolescentes já diagnosticados que possam fazer parte dos grupos de terapia associada a diferentes tipos de treinos. Durante 20 semanas, quatro grupos de cinco pessoas participam de atividades variadas. O projeto, coordenado por Mônica Miranda, mantém parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também estão abertas as inscrições para adolescentes. Os resultados dos dois estados serão agrupados, tendo como objetivo apontar os impactos dos tratamentos propostos sobre participantes de diferentes realidades.
Inscrições para projeto de tratamento em São Paulo: Centro Paulista de Neuropsicologia da Unifesp - Rua Embaú, 54 - Telefone: 11 5549-6899/8476
Entrevista para o Grupo Taeq
Entrevista para o Grupo Taeq
Cérebro sempre ativo
Assim como qualquer órgão do corpo humano, o cérebro precisa de exercícios para manter-se ativo e saudável. Especialistas de diversas áreas comprovam que atividades físicas contribuem para o desempenho intelectual, psicológico e também para as funções cognitivas, como percepção, atenção e memória, dentre muitas outras.
Outro tipo de exercício vem chamando a atenção de pessoas que querem manter o cérebro saudável: a chamada neuróbica, conceito relativamente recente até mesmo entre os estudiosos.
Por meio da mudança de comportamentos rotineiros, como escrever com a mão que não está habituado, vestir-se de olhos fechados ou fazer combinações gastronômicas inusitadas, a proposta da neuróbica é estimular o aprendizado para a formação de novos caminhos neurais.
No entanto, o neuropsicólogo da Unifesp Thiago Strahler Rivero ressalta que o grande equívoco está na generalização desse aprendizado. “Não devemos utilizar a neuróbica como propaganda de cérebro afiado”.
De acordo com o pesquisador, o ideal é ter o cérebro aguçado para tarefas relevantes de cada indivíduo. “Se o problema é memória, vamos treinar a memória; se é déficit de atenção, vamos criar treinos específicos para isso, sempre respeitando o perfil de cada um.”
Thiago explica que para manter o cérebro ativo é necessário muito mais que simplesmente a prática constante de exercícios, sejam físicos, de lógica ou memória. “É preciso ter uma contínua atitude de bem estar, atentando para os aspectos físico, emocional e mental”.
O neurologista da Unifesp Cicero Galli Coimbra concorda e cita três principais fatores para a manutenção de um cérebro saudável. “É preciso ter equilíbrio emocional, procurar desenvolver novas habilidades e alimentar-se adequadamente”.
De acordo com Cicero, pessoas que vivem sob estresse, medo ou em estados depressivos por muito tempo acabam bloqueando a produção de novos neurônios. “Sofrimento prolongado envelhece o cérebro”, garante o especialista.Outro fator fundamental para quem deseja expandir a capacidade mental é o desenvolvimento de novas habilidades, como aprender um novo idioma, um instrumento musical ou atividades criativas que também contribuam para a capacidade de socialização, comunicação e explorem potencialidades e limitações.
E o terceiro fator, não menos importante, é o cuidado com a escolha dos alimentos. “Uma alimentação saudável, rica em omega-3, encontrado em peixes como sardinha, atum e salmão, e pobre em substâncias neurotóxicas, provenientes especialmente do preparo de carnes e aves, contribuem para a manutenção de um cérebro ativo”.
O neurologista também reforça a importância da exposição ao sol no período matinal, fundamental para a síntese de vitamina D, que além de essencial para a formação dos ossos e dentes, contem substâncias que fortalecem a rede neural, dilatando a capacidade de raciocínio e memória do indivíduo.
*Thiago Strahler Rivero – neuropsicologo e pesquisador colaborador do grupo de memória do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). www.unifesp.br/dpsicobio
*Cicero Galli Coimbra é professor associado e livre-docente do departamento de neurologia e neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). WWW.unifesp.br/dneuro
Cérebro sempre ativo
Assim como qualquer órgão do corpo humano, o cérebro precisa de exercícios para manter-se ativo e saudável. Especialistas de diversas áreas comprovam que atividades físicas contribuem para o desempenho intelectual, psicológico e também para as funções cognitivas, como percepção, atenção e memória, dentre muitas outras.
Outro tipo de exercício vem chamando a atenção de pessoas que querem manter o cérebro saudável: a chamada neuróbica, conceito relativamente recente até mesmo entre os estudiosos.
Por meio da mudança de comportamentos rotineiros, como escrever com a mão que não está habituado, vestir-se de olhos fechados ou fazer combinações gastronômicas inusitadas, a proposta da neuróbica é estimular o aprendizado para a formação de novos caminhos neurais.
No entanto, o neuropsicólogo da Unifesp Thiago Strahler Rivero ressalta que o grande equívoco está na generalização desse aprendizado. “Não devemos utilizar a neuróbica como propaganda de cérebro afiado”.
De acordo com o pesquisador, o ideal é ter o cérebro aguçado para tarefas relevantes de cada indivíduo. “Se o problema é memória, vamos treinar a memória; se é déficit de atenção, vamos criar treinos específicos para isso, sempre respeitando o perfil de cada um.”
Thiago explica que para manter o cérebro ativo é necessário muito mais que simplesmente a prática constante de exercícios, sejam físicos, de lógica ou memória. “É preciso ter uma contínua atitude de bem estar, atentando para os aspectos físico, emocional e mental”.
O neurologista da Unifesp Cicero Galli Coimbra concorda e cita três principais fatores para a manutenção de um cérebro saudável. “É preciso ter equilíbrio emocional, procurar desenvolver novas habilidades e alimentar-se adequadamente”.
De acordo com Cicero, pessoas que vivem sob estresse, medo ou em estados depressivos por muito tempo acabam bloqueando a produção de novos neurônios. “Sofrimento prolongado envelhece o cérebro”, garante o especialista.Outro fator fundamental para quem deseja expandir a capacidade mental é o desenvolvimento de novas habilidades, como aprender um novo idioma, um instrumento musical ou atividades criativas que também contribuam para a capacidade de socialização, comunicação e explorem potencialidades e limitações.
E o terceiro fator, não menos importante, é o cuidado com a escolha dos alimentos. “Uma alimentação saudável, rica em omega-3, encontrado em peixes como sardinha, atum e salmão, e pobre em substâncias neurotóxicas, provenientes especialmente do preparo de carnes e aves, contribuem para a manutenção de um cérebro ativo”.
O neurologista também reforça a importância da exposição ao sol no período matinal, fundamental para a síntese de vitamina D, que além de essencial para a formação dos ossos e dentes, contem substâncias que fortalecem a rede neural, dilatando a capacidade de raciocínio e memória do indivíduo.
*Thiago Strahler Rivero – neuropsicologo e pesquisador colaborador do grupo de memória do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). www.unifesp.br/dpsicobio
*Cicero Galli Coimbra é professor associado e livre-docente do departamento de neurologia e neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). WWW.unifesp.br/dneuro


